UNIVERSIDADE
SANTA
CECÍLIA
CURSO: CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO
CICLO:
7º
DISCIPLINA: METODOLOGIA CIENTÍFICA I
1º
SEMESTRE/2004
PLANO DE ENSINO
Faculdade de Ciências e
Tecnologia.
Curso: Ciência da
Computação.
Disciplina : Metodologia Científica I.
Ciclo : 7º
Professora: Dra Katya Lais
Ferreira Patella.
OBJETIVOS:
· Introduzir o aluno na prática da Metodologia Científica, pelo domínio de técnicas que visam a facilitar seu bom desempenho nos trabalhos dos cursos de graduação.
· Levar o estudante a dominar certas técnicas de produção textual que lhe permitam disciplinar seu trabalho intelectual, garantindo-lhe maior produtividade.
EMENTÁRIO:
Texto.
Qualidades do texto.
Metodologia do trabalho científico.
PLANO DETALHADO DE TRABALHO:
1. Considerações sobre a noção de texto.
1.1. Texto e contexto.
1.1.1. Contexto lingüístico.
1.1.2. Contexto situacional.
1.1.3. Intencionalidade do texto.
1.2. Coerência textual.
1.2.1. Fatores de coerência.
1.2.1.1. Elementos lingüísticos.
1.2.1.2. Conhecimento de mundo.
1.2.1.3. Focalização.
1.2.1.4. Situacionalidade.
1.3. Técnicas de resumo.
1.4. Técnicas de resenha.
2. Trabalho científico.
2.1. Tipos de trabalho científico.
2.2. A pesquisa científica e o pré-projeto.
2.3. Etapas de elaboração do TCC.
2.3.1. Determinação do tema-problema-tese do trabalho.
2.3.2. Levantamento da bibliografia.
2.3.3. Leitura e documentação.
2.3.4. Explicitação dos objetivos.
2.3.5. Indicação dos procedimentos metodológicos e técnicos.
2.3.6. Estabelecimento do cronograma de pesquisa.
2.3.7. Indicação da bibliografia.
2.3.8. A construção lógica do trabalho.
2.3.9. A redação do texto.
2.3.10. A construção do parágrafo.
2.4. Citações.
2.4.1. Registro de citações pelo sistema numérico.
2.4.2.Registro de citações pelo sistema alfabético.
2.5. Casos especiais.
2.5.1. Emprego de “ibidem” (ou “ibid.”) e “idem” (ou “id”).
2.5.2. Emprego de “apud”.
2.5.3. Emprego da abreviação “cf”.
2.5.4. Emprego da expressão “grifo nosso”.
2.5.5. Omissões em citações.
2.5.6. Nome do autor incluso na sentença.
2.5.7. Autores com o mesmo sobrenome.
2.5.8. Diversos documentos de um mesmo autor.
2.6.Notas de rodapé.
2.7. Técnica bibliográfica.
2.7.1. Bibliografia de livros.
2.7.1.1. Livros no todo.
2.7.1.2. Partes de livros.
2.7.2. Bibliografia de monografias, dissertações e teses.
2.7.3. Bibliografia de seriados.
2.7.3.1. Revistas no todo.
2.7.3.2. Revistas em parte.
2.7.3.3. Artigos de revistas.
2.7.4. Bibliografia de jornais em geral.
2.7.4.1. Jornais no todo.
2.7.4.2. Partes de jornal.
2.7.4.3. Artigos ou reportagens de jornal
2.7.5. Bibliografia legislativa.
2.7.6. Bibliografia de documentos obtidos na.Internet.
2.7.6.1. E-textos em geral.
2.7.6.2. E-livros completos.
2.7.6.3. Partes de e-livros.
2.7.6.4. E-revistas completas.
2.7.6.5. Artigos de e-revistas.
2.7.6.6. E-jornais.
2.7.8. Bibliografia de materiais especiais.
ESTRATÉGIAS/RECURSOS DIDÁTICOS: As aulas terão exposições teóricas e enfatizarão atividades essencialmente práticas. Do lado teórico, os alunos farão leituras que versem sobre os temas propostos, discutindo as idéias acerca do assunto. Do lado prático, os discentes desenvolverão atividades, individualmente e/ou em grupo, que tematizem o assunto de cada aula. Uma apostila será disponibilizada aos estudantes, com os dois lados aqui levantados: teoria e prática.
1o.
bimestre:
- Atividades práticas em sala de aula (correspondentes às datas de 28/02, 06/03, 13/03, 27/03, 03/04) – valor 2.0. ATENÇÃO: essas atividades são presenciais. Não falte nem chegue atrasado!
- Projeto de Pesquisa Científica (entregue no dia 27/03) – valor 3.0.
- Prova bimestral – valor 5.0.
2o.
bimestre:
- Atividades práticas em sala de aula (correspondente às datas de 24/04, 08/05, 15/05, 29/05 e 05/06) - valor 2.0. ATENÇÃO: essas atividades são presenciais. Não falte nem chegue atrasado!
- Versão preliminar da monografia (entregue no dia 29/05) – valor 3.0.
- Prova bimestral – valor 5.0.
BIBLIOGRAFIA:
ALVARENGA, Maria Amália de F. P.; ROSA, Maria Virgínia de F. P. do C. Apontamentos de metodologia para a ciência e técnicas de redação científica. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 1999.
ANDRADE, Maria Margarida. Introdução à metodologia do trabalho científico. 4 ed. São Paulo: Atlas,1999.
BAGNO, Marcos. Pesquisa na escola. O que é. Como se faz. São Paulo: Loyola, 1998.
ECO, Humberto. Como se faz uma tese. 12º ed. São Paulo: Perspectiva, 1995.
NUNES, Luiz Antonio Rizzatto. Manual da monografia. Como se faz uma monografia, uma dissertação, uma tese. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2000.
PESCUMA, Derna & CASTILHO, Antonio Paulo. Referências bibliográficas: um guia para documentar suas pesquisas, incluindo Internet, CD-ROM, multimeios. São Paulo: Olho d’Água, 2001.
SALOMON, Délcio V. Como fazer uma monografia. 2a ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
SEVERINO, Antonio J. Metodologia do trabalho científico.
20ª ed. São Paulo: Cortez,
1998.
SPINA, Segismundo. Normas gerais para os trabalhos de grau: um
breviário para o
estudante de pós-graduação. 2a ed. São
Paulo: Ática, 1984.
ALMEIDA, Maria Lucia P. de. Como elaborar monografias. 4º ed. Belém: Cejup,1996.
BARROS, Aidil J.P.; LEFHELD, Neide A. S Fundamentos de metodologia: um guia para a iniciação científica. São Paulo: McGraw-Hill Ltda. 1986.
CERVO, Amando Luiz, BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. 4º ed. São Paulo: Makron Books, 1996.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4a ed. São Paulo: Atlas, l994.
FUNDAÇÃO ARMANDO ÁLVARES PENTEADO. Manual de Metodologia. Trabalho de Conclusão de Curso. São Paulo: Fundação Armando Álvares Penteado (Faculdade de Administração de Empresas), s/d.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho científico. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 1992.
________.Técnicas de pesquisa. 3ª ed. São Paulo: Atlas, l996.
1. TRABALHO
CIENTÍFICO
Trabalho científico, de
acordo com Severino (1996), pode ser entendido como o conjunto de processos de
estudo, de pesquisa e de reflexão que caracterizam a vida intelectual do
universitário. Vejamos alguns tipos de trabalho
científico:
Quadro 1 - Tipos de documentos
acadêmicos.
|
Documento |
Caracterização | |
|
Monografia |
Documento
que descreve um estudo minucioso sobre tema relativamente restrito. É
freqüentemente solicitado como trabalho de formatura ou trabalho de
conclusão em cursos de graduação ou de pós-graduação lato – sensu. Em caso de aprovação
no curso de pós-graduação, o
autor recebe o título de
Especialista. | |
|
Dissertação |
Documento
que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um
estudo científico, não se exigindo originalidade. É feito sob a orientação
de um pesquisador, visando à obtenção do título de Mestre.
| |
|
Tese |
Documento
que representa o resultado de um trabalho experimental ou teórico de tema
inédito, específico e bem delimitado. Deve ser elaborado com base em
investigação original, constituindo-se em real contribuição para a
especialidade em questão. Visa à obtenção do título de Doutor.
| |
|
Tese de
Livre-Docência |
O exame de livre-docência consiste na elaboração de um memorial,
prova escrita, prova didática e defesa de tese (assunto inédito). Há um
grande rigor por parte da banca examinadora, no que se refere à análise da
tese. O professor recebe o título de Professor Livre-Docente ou
Professor-Adjunto em algumas
universidades. | |
Fonte: MATTAR et al., 1996, p.
46.
2.
METODOLOGIA CIENTÍFICA
A metodologia científica
preconiza uma série de regras através das quais o conhecimento deve ser obtido.
Essas regras atribuem à produção científica um alto grau de confiabilidade, na
medida em que permitem apresentar a comprovação daquilo que se afirma. Não são,
portanto, conjecturas, suposições e sim conclusões baseadas em dados da
realidade. As regras ditadas pela metodologia científica naturalmente são
gerais. Elas atuam no plano formal do trabalho, ou seja, no modo de obter dados,
no modo de testá-los e no modo de apresentá-los.
O uso adequado da
metodologia permitirá melhorar os processos de:
a.
Extrair conclusões dos dados
coletados.
b.
Redigir logicamente o
trabalho.
c.
Construir instrumentos
objetivos de coleta de dados.
d.
Tabular, analisar e
interpretar adequadamente dados obtidos.
3.
PESQUISA CIENTÍFICA
Pesquisa é uma
palavra que nos veio do espanhol. Este, por sua vez, herdou-a do latim. Havia em
latim o verbo perquiro, que
significava “procurar; buscar com cuidado; procurar por toda parte; informar-se;
inquirir; perguntar; indagar bem; aprofundar na busca”. O particípio passado
desse verbo era perquisitum. Por
alguma lei da fonética histórica, o primeiro r se transformou em s
na passagem do latim para o espanhol, dando o verbo pesquisar, que conhecemos hoje. Perceba
que os significados desse verbo em latim insistem na idéia de uma busca feita
com cuidado e profundidade. Nada a ver, portanto, com trabalhos superficiais,
feitos só para “tirar nota”.
Antes da
realização da pesquisa ou trabalho proposto, é preciso que se faça um projeto de
pesquisa.
4. ASPECTOS LINGÜÍSTICOS DE UM TRABALHO
CIENTÍFICO
A fase de
redação consiste na expressão literária do raciocínio desenvolvido no trabalho.
Recomenda-se que a montagem do trabalho seja feita através de uma primeira
redação de rascunho. Terminada a primeira composição, sua leitura completa
permitirá uma revisão adequada do todo e a correção de possíveis falhas lógicas
ou redacionais.
De um ponto de
vista da redação do texto, é importante ressaltar a questão da construção do
parágrafo. O parágrafo é uma parte do texto que tem por finalidade expressar as
etapas do raciocínio. Por isso, a seqüência dos parágrafos, o seu tamanho e a
sua complexidade dependem da própria natureza do raciocínio desenvolvido. Duas
tendências são incorretas: ou o excesso de parágrafos – praticamente cada frase
é tida como um novo parágrafo – ou a ausência de parágrafos. Como a paragrafação
representa, no que tange ao texto,
as articulações do raciocínio, percebe-se, então, a insegurança de quem assim
escreve.
A mudança de
parágrafo, toda vez que se avança na seqüência do raciocínio, marca o fim de uma
etapa e o começo de outra. Portanto, a articulação de
um texto em parágrafos está intimamente vinculada à estrutura lógica do
raciocínio desenvolvido. É por isso mesmo que, na maioria das vezes, esses
parágrafos são iniciados com conjunções que indicam as várias formas de se
passar de uma etapa lógica à outra.
Cabe
acrescentar, ainda, que em trabalhos científicos, impõe-se um estilo sóbrio e
preciso, importando mais a clareza do que qualquer outra característica
estilística. A terminologia técnica só será usada quando necessária ou em
trabalhos especializados, nível em que já se tornou terminologia básica. De
qualquer modo, é preciso que o leitor entenda o raciocínio e as idéias do autor
sem ser impedido por uma linguagem hermética ou esotérica. Igualmente, evitem-se
a pomposidade pretensiosa, o verbalismo vazio, as fórmulas feitas e a linguagem
sentimental. O estilo do texto será determinado pela natureza do raciocínio
específico às várias áreas do saber em que se situa o
trabalho.
A redação deve
ser feita na 3a pessoa do singular ou na 1a pessoa do
plural. Em alguns locais, já se aceita o uso da 1a pessoa do
singular.
AULA 2 –
28/02
1. PROJETO DE
PESQUISA
O Projeto de
Pesquisa, conhecido como Proposta de Trabalho, Plano de Pesquisa, dentre outros
nomes, tem por objetivo direcionar os esforços do pesquisador para a execução do
trabalho. Em síntese, fazer um projeto é lançar idéias para a frente, é prever
as etapas do trabalho, é definir aonde se quer chegar com
ele.
O Projeto de
Pesquisa, geralmente, é breve (entre 3 e 5 folhas, incluindo capa e folha de
rosto) e bastante objetivo.
2.
ESTRUTURA DE UM PROJETO DE PESQUISA – parte
1
A. Título: indica o
assunto do trabalho. É uma nomeação do tema da pesquisa. Distingue-se título
geral de título técnico: este, geralmente, aparece como um subtítulo que
especifica a temática abordada; aquele indica, mais genericamente, o teor do
trabalho. Se o pesquisador não estiver muito inspirado para “batizar” o
trabalho, pode dar-lhe um título provisório.
B. Tema:
inicialmente, deve ser definido o tema do projeto de pesquisa. Por tema,
entende-se o assunto sobre o qual versará o trabalho. Uma opção interessante,
sob o ponto de vista da produção científica, é a do assunto desconhecido ou
pouco conhecido. O pesquisador pode optar por um tema justamente porque não o
conhece ou conhece-o de maneira insuficiente. Será uma boa oportunidade para vir
a ter contato com ele e passar a conhecê-lo. Vale lembrar que o tema deve
corresponder ao gosto, às aptidões ou à vocação e aos interesses de quem vai
abordá-lo. Elaborar um trabalho sobre um tema que não desperta o interesse, que
não corresponde ao gosto do autor, pode transformar-se em tarefa demasiadamente
pesada.
C. Delimitação do tema: escolhido o tema, faz-se necessário delimitá-lo, ou seja,
é preciso distingui-lo de temas afins, tendo presente o domínio sobre o qual se
vai trabalhar. Quanto mais delimitado um assunto, maior é a possibilidade de
aprofundar a abordagem. Delimitar, portanto, corresponde a selecionar aspectos
de um tema, limitando a escolha a um deles, para que o assunto seja tratado com
a suficiente profundidade que se espera de um trabalho
científico.
3.
EXEMPLOS:
a) SILVA, Adriana Borges et al. Anemômetro. 2004. 94 f. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade de Ciências e Tecnologia. Curso: Ciência da Computação. Universidade Santa Cecília, Santos.
- Título:
Anemômetro.
- Tema:
Anemômetro.
- Delimitação do
tema: Construção de um anemômetro de operação remota, ligado diretamente a um
computador que armazena dados, para os pilotos que praticam vôo livre na rampa
de Santos.
b) TIOMA, Ana Paula. Visiongames: jogos educativos para deficientes visuais. 2004. 74 f. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade de Ciências e Tecnologia. Curso: Ciência da Computação. Universidade Santa Cecília, Santos.
- Título:
Visiongames: jogos educativos para deficientes
visuais.
- Tema: Jogos
educativos
- Delimitação do
tema: Criação de jogos educativos computadorizados para crianças entre 3 e 6
anos, portadoras de deficiência visual.
AULA 3 –
06/03
1.
ESTRUTURA DE UM PROJETO DE PESQUISA
(continuação)
D. Justificativa para a escolha do tema: a justificativa consiste na apresentação, de forma clara e
sucinta, das razões de ordem teórica e/ou prática que justificam a realização da
pesquisa. É a defesa que o autor faz de seu projeto. Nela o estudioso apresenta
argumentos que convençam as pessoas de que aquele trabalho é digno de
interesse.
A justificativa
deve indicar:
a) Estágio de
desenvolvimento dos conhecimentos referentes ao
tema.
b) Problematização
do tema.
d) Possibilidade
de sugerir modificações no âmbito da realidade abarcada pelo
tema.
Assim, a justificativa é a “desculpa” que se dá para se fazer uma
pesquisa. Qual a importância daquele tema escolhido? Ele tem relevância para as
pessoas envolvidas? Ele pode contribuir de algum modo para o aperfeiçoamento da
sociedade em que está inserido?
Acima, falou-se de
problematização do tema. O que vem a ser isso? A visão clara da delimitação do
tema do trabalho, a partir de determinada perspectiva, deve completar-se com sua
colocação em termos de problema. O raciocínio – parte essencial de um trabalho –
não se desencadeia, quando não se estabelece devidamente um problema (dúvida a
ser superada). Em outras palavras, o tema
deve ser problematizado. Toda argumentação, todo raciocínio desenvolvido num
trabalho logicamente construído é uma demonstração que visa solucionar
determinado problema. Essa etapa nasce da experiência intelectual, leitura,
discussão e reflexão.
Para proceder-se à
formulação do problema de maneira prática, é preciso responder às perguntas o
quê? como? Formular o problema não se limita a identificá-lo; é preciso
defini-lo, circunscrever seus limites, isolar e compreender seus fatores
peculiares, ou seja, indicar as variáveis que sobre ele intervêm e as possíveis
relações entre elas.
Portanto, antes da
elaboração do trabalho, é preciso ter idéia clara do problema a ser resolvido,
da dúvida a ser superada. Exige-se consciência da problemática específica
relacionada com o tema abordado de determinada perspectiva, cuja natureza
especificará a metodologia a ser utilizada no decorrer do
trabalho.
E. Objetivos:
indica-se o que é pretendido como desenvolvimento da pesquisa e quais os
resultados que se procura alcançar. Em alguns trabalhos, os objetivos podem ser
divididos em geral(ais) e específico(s). Em outras palavras, o objetivo é o
ponto de chegada, a meta final. É a contribuição que o projeto quer dar ao
conhecimento daquele tema. A
redação de um objetivo sempre se dá por meio de um verbo: estudar, analisar,
comparar, apontar etc.
2.
EXEMPLOS
a) SILVA, Adriana Borges et al. Anemômetro. 2004. 94 f. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade de Ciências e Tecnologia. Curso: Ciência da Computação. Universidade Santa Cecília, Santos.
- Título:
Anemômetro.
- Tema:
Anemômetro.
- Delimitação do
tema: Construção de um anemômetro de operação remota, ligado diretamente a um
computador que armazena dados, para os pilotos que praticam vôo livre na rampa
de Santos.
- Justificativa
para a escolha do tema
A prática de vôo livre utiliza-se da condição dos ventos para decolagem,
vôo e pouso. A velocidade mínima do vento é de 10 km/h e a máxima, de 35 km/h.
Fora dessa faixa, a prática do esporte se torna muito
perigosa.
Hoje, as decolagens são feitas com base na experiência dos pilotos, pois
o anemômetro (instrumento que se destina a medir a velocidade do ar em
movimento, ou seja, o vento), possui preço muito
elevado.
Dessa forma, pretendemos construir um aparelho (anemômetro) com preço
mais accessível, mais robusto, de operação remota, ligado diretamente a um
computador que armazene os dados para futuras estatísticas e os exiba num
display para os pilotos que praticam vôo livre na rampa de Santos, aumentando,
assim, a segurança e o conhecimento sobre a melhor época do ano para se voar.
-
Objetivos
O presente estuda objetiva:
1. Construir um anemômetro a partir dos componentes de um mouse serial, ligado direto no computador.
2. Desenvolver um
software para mostrar a velocidade do vento em tempo
real.
3. Armazenar esses
dados para obter estatísticas, como a melhor época do ano para a prática do vôo
livre.
4. Disponibilizar
esses dados através da Internet para todos os
pilotos.
b) TIOMA, Ana Paula. Visiongames: jogos educativos para deficientes visuais. 2004. 74 f. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade de Ciências e Tecnologia. Curso: Ciência da Computação. Universidade Santa Cecília, Santos.
- Título:
Visiongames: jogos educativos para deficientes
visuais.
- Tema: Jogos
educativos
- Delimitação do
tema: Criação de jogos educativos computadorizados para crianças entre 3 e 6
anos, portadoras de deficiência visual.
- Justificativa para a escolha do tema
Os jogos desempenham um papel importante no desenvolvimento da criança, por representarem esforço e conquista e possibilitarem o equilíbrio entre o mundo interno e o externo, canalizando as energias do infante e transformando em prazer suas angústias.
Além disso, os jogos estimulam a imaginação infantil, auxiliam no processo de integração grupal, permitem a liberação da emoção, facilitam a construção do conhecimento, contribuem para a aquisição da auto-estima, promovem a criatividade, desenvolvem a autonomia e favorecem a expressão da personalidade da criança.
Os jogos educativos computadorizados, preferidos pelas crianças, consistem em jogos que visam a auxiliar o desenvolvimento educacional dos alunos[1].
Entretanto, o mercado carece de programas educativos para crianças com deficiência visual na faixa etária entre 3 e 6 anos, segundo os professores do Lar das Moças Cegas de Santos[2], o que é lamentável, visto que o professor pode aproveitar-se das vantagens dos jogos educativos e da multimídia como recurso no processo ensino/aprendizagem.
- Objetivo
Este trabalho tem por objetivo produzir jogos educativos para crianças de 3 a 6 anos, portadoras de deficiência visual.
AULA 4 –
13/03
1.
ESTRUTURA DE UM PROJETO DE PESQUISA
(continuação)
F. Breve sumário preliminar: considerando-se o tema e o(s) objetivo(s) da pesquisa,
apresenta-se uma estrutura básica para desenvolvimento do trabalho, sob a forma
de capítulos. O sumário deve conter
uma breve descrição dos futuros capítulos e a sua importância para o
desenvolvimento da monografia.
G. Metodologia:
consiste na indicação das etapas necessárias à efetivação do trabalho. Como o nome indica, tem a ver com o
modo de obtenção dos dados que sustentarão a pesquisa: leitura; fichamento;
gravação em fita cassete ou em vídeo; elaboração de maquetes ou protótipos;
experimentos controlados; testes monitorados; entrevistas com informantes;
visitas a indústrias; consultas a museus etc.
H. Cronograma de atividades: considerando as informações anteriores e o calendário para
a entrega da monografia, dissertação ou tese, nessa parte planejamos a execução
do trabalho de forma a atender a todos os prazos
envolvidos.
I. Bibliografia preliminar: neste item são estabelecidas as fontes da pesquisa. Para
saber como montar uma bibliografia, veja logo a seguir a seção Técnica
bibliográfica.
J. Previsão orçamentária (se for
necessário).
2.
EXEMPLOS
a) SILVA, Adriana Borges et al. Anemômetro. 2004. 94 f. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade de Ciências e Tecnologia. Curso: Ciência da Computação. Universidade Santa Cecília, Santos.
- Título:
Anemômetro.
- Tema:
Anemômetro.
- Delimitação do
tema: Construção de um anemômetro de operação remota, ligado diretamente a um
computador que armazena dados, para os pilotos que praticam vôo livre na rampa
de Santos.
- Justificativa
para a escolha do tema
A prática de vôo livre utiliza-se da condição dos ventos para decolagem,
vôo e pouso. A velocidade mínima do vento é de 10 km/h e a máxima, de 35 km/h.
Fora dessa faixa, a prática do esporte se torna muito
perigosa.
Hoje, as decolagens são feitas com base na experiência dos pilotos, pois
o anemômetro (instrumento que se destina a medir a velocidade do ar em
movimento, ou seja, o vento), possui preço muito
elevado.
Dessa forma, pretendemos construir um aparelho (anemômetro) com preço
mais accessível, mais robusto, de operação remota, ligado diretamente a um
computador que armazene os dados para futuras estatísticas e os exiba num
display para os pilotos que praticam vôo livre na rampa de Santos, aumentando,
assim, a segurança e o conhecimento sobre a melhor época do ano para se voar.
-
Objetivos
O presente estuda objetiva:
1. Construir um anemômetro a partir dos componentes de um mouse serial, ligado direto no computador.
2. Desenvolver um
software para mostrar a velocidade do vento em tempo
real.
3. Armazenar esses
dados para obter estatísticas, como a melhor época do ano para a prática do vôo
livre.
4. Disponibilizar
esses dados através da Internet para todos os
pilotos.
- Breve sumário
preliminar
Nosso trabalho constará, a princípio, de três capítulos, a saber:
a. Capítulo 1 – capítulo
teórico, onde estudaremos, com precisão, o aparelho anemômetro, bem como os
tipos existentes.
b. Capítulo 2 – apresentaremos,
aqui, as etapas de construção do anemômetro, a partir dos componentes de um
mouse serial, ligado direto no computador.
c. Capítulo 3 – apontaremos, no presente
capítulo, a documentação do sistema.
- Metodologia
1.
Pesquisa bibliográfica.
2. Leitura do material
coletado.
3. Resenha dos principais
títulos pesquisados
4. Construção do
anemômetro.
5. Documentação do
sistema.
6. Construção do
software.
7. Teste do
anemômetro.
8. Redação final do
TCC.
9. Entrega do
TCC.
10. Apresentação do
TCC
- Cronograma de
atividades
Fevereiro – item
1.
Março – itens 1 e
2.
Abril –itens 2 e
3.
Maio – item
3.
Junho – item
4.
Julho – item
5.
Agosto – item
6.
Setembro – item
7
Outubro –item
8.
Novembro – itens 9
e 10.
- Bibliografia
preliminar
CANAL DO TEMPO.COM. Disponível
em http://br.weather.com Acesso em: set.
2003.
INMET, Instituto
Nacional de Meteorologia. Disponível em www.inmet.gov.br. Acesso em: ago.
2003.
b) TIOMA, Ana Paula. Visiongames: jogos educativos para deficientes visuais. 2004. 74 f. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade de Ciências e Tecnologia. Curso: Ciência da Computação. Universidade Santa Cecília, Santos.
- Título: Visiongames: jogos educativos para deficientes visuais.
- Tema: Jogos
educativos
- Delimitação do
tema: Criação de jogos educativos computadorizados para crianças entre 3 e 6
anos, portadoras de deficiência visual.
- Justificativa para a escolha do tema
Os jogos desempenham um papel importante no desenvolvimento da criança, por representarem esforço e conquista e possibilitarem o equilíbrio entre o mundo interno e o externo, canalizando as energias do infante e transformando em prazer suas angústias.
Além disso, os jogos estimulam a imaginação infantil, auxiliam no processo de integração grupal, permitem a liberação da emoção, facilitam a construção do conhecimento, contribuem para a aquisição da auto-estima, promovem a criatividade, desenvolvem a autonomia e favorecem a expressão da personalidade da criança.
Os jogos educativos computadorizados, preferidos pelas crianças, consistem em jogos que visam a auxiliar o desenvolvimento educacional dos alunos[3].
Entretanto, o mercado carece de programas educativos para crianças com deficiência visual na faixa etária entre 3 e 6 anos, segundo os professores do Lar das Moças Cegas de Santos[4], o que é lamentável, visto que o professor pode aproveitar-se das vantagens dos jogos educativos e da multimídia como recurso no processo ensino/aprendizagem.
- Objetivo
Este trabalho tem por objetivo produzir jogos educativos para crianças de 3 a 6 anos, portadoras de deficiência visual.
-
Breve sumário preliminar
Nosso trabalho constará, a princípio, de dois capítulos, a saber:
a. Capítulo 1 – capítulo
teórico, onde abordaremos aspectos relativos à deficiência
visual.
b. Capítulo 2 – apresentaremos,
aqui, as etapas de elaboração de jogos educativos.
- Metodologia
1.
Pesquisa bibliográfica.
2. Leitura do material
coletado.
3. Resenha dos principais
títulos pesquisados
4. Entrevistas com
profissionais ligados à área da deficiência visual.
5. Criação de jogos
educativos.
6. Redação final do
TCC.
7. Entrega do
TCC.
8. Apresentação do
TCC
- Cronograma de
atividades
Fevereiro – item
1.
Março – itens 1 e
2.
Abril –itens 2 e
3.
Maio – item
3.
Junho – item
4.
Julho – item
5.
Agosto – item
5.
Setembro – item
6
Outubro –item
6.
Novembro – itens 7
e 8.
- Bibliografia
preliminar
TEODÓZIO, Delmar.
Modelagem de dados. Apostila. Universidade Santa Cecília: Santos,
2003.
http://www.fundacaobradesco.com.br.
Acesso em: out. de 2003.
3.
COMO OBTER A BIBLIOGRAFIA A SER UTILIZADA
Para se obter a bibliografia
a ser utilizada no trabalho, há alguns passos a serem
seguidos:
A. Levantamento da
bibliografia: esclarecido e delimitado o
tema do trabalho e formulado o problema, o próximo passo é o levantamento com
documentação existente sobre o assunto. Desencadeia-se uma série de
procedimentos para a localização e busca metódica dos documentos que possam
interessar ao tema discutido. Tais documentos se definem pela natureza dos temas
estudados e pelas áreas em que os trabalhos se situam. Tratando-se de trabalhos
no âmbito de reflexão teórica, esses documentos são basicamente textos: livros,
artigos etc. As informações colhidas devem ser transcritas primeiramente em
fichas bibliográficas. Na face dessas fichas, são transcritos os dados
referentes ao documento em si, conforme as técnicas bibliográficas. A seguir,
assinalam-se com grande proveito os códigos das bibliotecas onde se encontra o
documento, as resenhas do documento e, eventualmente, alguma rápida apreciação.
Como essas fichas são a base de qualquer trabalho científico, todo estudioso
deveria formar um fichário na sua especialidade, o que lhe seria de extrema
utilidade no momento de qualquer pesquisa.
B. Leitura:
antes de começar a ler a
bibliografia, o pesquisador deve ter em mente as grandes linhas que serão as
colunas mestras do trabalho. Essas idéias são fruto da sugestão do próprio
problema levantado ou ainda de alguma insinuação de estudos anteriores. Essas
idéias exercem o papel de chamariz. São elas que mostram nos textos lidos
aqueles elementos que devem ser retidos para futuro aproveitamento na composição
do trabalho.
De posse de um roteiro de
idéias, parte-se para a análise dos documentos em busca dos elementos que se
revelem importantes para o trabalho.
A primeira medida, no
entanto, é operar uma triagem em todo o material recolhido durante a elaboração
da bibliografia. Nem tudo será necessariamente lido, pois nem tudo interessará
devidamente ao tema a ser estudado. Os documentos que se revelarem pouco
pertinentes ao tema serão deixados de lado. Para presidir a essa triagem,
utilizam-se as resenhas, que permitem avaliar a utilidade dos documentos em
questão. Na falta delas, além da opinião de especialistas, o melhor caminho é
tomar contato direto com a obra, lendo seu sumário, o prefácio, a introdução, as
“orelhas”, assim como algumas passagens do seu texto, até o momento em que se
possa ter dela uma opinião.
Uma vez definidos os
documentos a serem pesquisados, procede-se à leitura, combinando o critério de
atualidade com o critério da generalidade para o estabelecimento da ordem de
leitura. Inicia-se pelos textos mais recentes e mais gerais, indo para os mais
antigos e mais particulares. As obras recentes, geralmente, retomam as
contribuições significativas do passado, dispensando, assim, uma volta a textos
superados. Observar, contudo, que obras clássicas dificilmente perdem seu valor
de atualidade. Já na questão da generalidade, atentar para as condições de quem
está fazendo o trabalho, levando em conta o nível em que se encontra, a
dificuldade do tema, a familiaridade do autor com o assunto e com a área em que
é tratado. Feitas essas ressalvas, a ordem lógica é partir das obras gerais –
enciclopédias, dicionários, tratados etc, chegando às monografias especializadas
e aos artigos de revista, muito importantes devido à sua
atualidade.
A essa altura, dá-se início
à leitura. Note-se, contudo, que já não se trata de uma leitura analítica desses
documentos, em vista da reconstituição do processo do raciocínio do autor. Mesmo
quando a leitura integral do texto se fizer necessária, ela será feita tendo em
vista o aproveitamento direto apenas daqueles elementos que sirvam para
articular as idéias do novo raciocínio que se desenvolve. Os elementos a serem
recolhidos visam reforçar, apoiar e justificar as idéias pessoais formuladas
pelo autor do trabalho. Esses elementos retirados das várias fontes dão às
várias afirmações do autor, além do material sobre o qual se trabalha, a
garantia de maior objetividade fundada no testemunho e na verificação de outros
pensadores.
C. Documentação:
à medida que se procede à
leitura e que elementos importantes vão surgindo, faz-se a documentação.
Trata-se de tomar nota de todos os elementos que serão utilizados na elaboração
do trabalho científico. Quando se fala aqui de documentação, refere-se à tomada
de apontamentos durante a leitura de consulta e pesquisa. Esses apontamentos
servem de matéria-prima para o trabalho e funcionam como um primeiro estágio de
rascunho. A documentação pode ser feita em:
a) Fichas de cartolina (22,5
X 15,5
cm).
b) Folhas de papel sulfite
tamanho ofício (21,5 x 31,5 cm).
c)
Folhas pautadas
(blocos).
Esse material pode ser
arquivado em fichário tipo caixa, pastas-arquivos, classificadores, que
facilitem o transporte.
Cabe ressaltar que, durante
a pesquisa, o leitor pode ter idéias próprias sobre algum dos tópicos que está
discutindo. As fichas de documentação servem, também, para registrar essas
idéias que, se não forem logo gravadas, acabam perdendo-se.
4. TÉCNICA
BIBLIOGRÁFICA
Segundo a NBR 6023 (1989: 1) da ABNT, a Referência bibliográfica é "um conjunto de elementos que permitem a
identificação, no todo ou em parte, de documentos impressos ou registrados em
diversos tipos de material".
Não devem ser
relacionadas nesta lista as obras que não tenham sido citadas no transcorrer do
texto. Caso necessário, estas obras devem ser listadas como Bibliografia.
Na elaboração da bibliografia ou das referências biliográficas, recomenda-se que se use a ordem alfabética de autoria.
A apresentação desses elementos deve ser formatada, obedecendo-se aos seguintes critérios: início na margem esquerda da página; espaçamento simples entre as linhas e alinhamento justificado, espaçamento de 1.5 entre uma obra e outra.
Quando forem utilizadas várias obras de um mesmo autor, seu nome aparece na primeira referência e, depois, será substituído por um underline com cinco espaços. O nome do autor se repete, porém, se houver mudança de página.
1. Bibliografia de
livros
a) Livros no
todo
· Um autor com sobrenome simples
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 21 ed. rev. amp. São Paulo: Cortez, 2000. 279p.
· Um autor com sobrenome composto
LIMA VAZ, Henrique Cláudio de. Escritos de filosofia. 2 ed. São Paulo:
Loyola, 2000.
246p.
· Um autor com designativo de parentesco no sobrenome
CARMO NETO, Dionísio. Metodologia científica para principiantes. Salvador: Universitária Americana, 1992. 526p.
· Um autor com sobrenome portador de partícula
LUNA, Sérgio Vasconcelos de. Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: Educ, 1996. 108p.
· Dois autores
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de
Andrade. Metodologia do trabalho
científico. 4.ed. rev. amp. São Paulo: Atlas, 1995.
214p.
· Três ou mais autores
BASTOS, Lília da Rocha et al. Manual para a elaboração de projetos e
relatórios de
pesquisa, teses, dissertações e monografia. 4. ed. rev. amp. Rio de Janeiro: LTC,
1996.
96p.
· Vários autores com organizador ou coordenador
BICUDO, Maria Aparecida Viggiani; SILVA
JÚNIOR, Celestino Alves da (org.).
Formação do educador e avaliação
educacional. São Paulo: Unesp,
1999. 4v.
(Seminários e debates).
CARVALHO, Maria Cecília de (org.). Construindo o saber: metodologia científica
–
fundamentos e técnicas. 5. ed. Campinas: Papirus, 1995.
175p.
· Responsabilidade da Instituição
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO
DESPORTO/Secretaria de Educação
Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997.
10v.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Normas para publicações da Unesp. 4 ed. São Paulo: Unesp, 1994. 4v.
· Autoria desconhecida
BÍBLIA de Jerusalém. 5 ed. São Paulo: Paulinas, 1991. 2366p.
· Obra traduzida
FONTANA, Josep. História: análise do passado e projeto
social. Tradução por Luiz
Roncari. Bauru: Edusp, 1998. 400p. (Ciências Sociais).
· Obra pertencente a série ou coleção
LUNGARZO, Carlos. O que é ciência. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 1993. 86p. (Primeiros Passos, 220).
· Enciclopédias e dicionários
BAUER, Johannes B. Dicionário de teologia bíblica. Tradução por Helmuth Alfredo
Simon. São Paulo: Loyola, 1973. 2v.
b) Partes de livros: a referência de um artigo ou verbete em uma obra, dicionário ou enciclopédia, segue os modelos a seguir. Se o autor do artigo for o mesmo do livro, substitui-se o seu nome por cinco traços underline. Exemplos:
ALONSO, Myrtes. Formar professores para uma nova escola. In: _____ (org.). O trabalho docente, teoria & prática. São Paulo: Pioneira, 1999. p. 9-18.
CURREN, Randall. Education, history of
philosophy. In: Routledge encyclopedia
of philosophy. London: Routledge, 1998. v. 3. p.
222-31.
2.
Bibliografia de monografias, dissertações e teses
LANÇA, Marco Antonio. Vilas paulistas: século XVI. 1996. 124 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – USP, São Paulo.
3.
Bibliografia de seriados
a) Revistas no todo: se, para a realização do trabalho foi consultada toda a coleção de uma determinada revista, é necessário efetuar a bibliografia, elencando os seguintes itens: título da revista, local da publicação, editora, data (se a revista estiver em curso de publicação, apenas o ano do primeiro volume; se a publicação cessou, indicar, também, o ano do término de sua publicação).
Como elementos complementares, pode-se acrescentar a periodicidade (diária, semanal, mensal etc) e o número do ISSN (International Standard Subdivision Number). Exemplos:
ANDE. São Paulo: Cortez, 1981-1995. ISSN 0101-5028.
LEPOLDIANUM. Santos: Leopoldianum, 1974- . ISSN 0101-9635.
JORNAL APASE. São Paulo,
1990-. Bimestral até jul. 96, mensal a partir de ago. 96, título Jornal da Apase
até dez. 99.
b) Partes de jornal: a bibliografia de uma edição de jornal deve conter os seguintes elementos: título do jornal, local da publicação, ano, número e data da edição, número de cadernos, ou de páginas se o jornal tiver apenas um caderno, e indicação do tipo da edição. Exemplos:
A TRIBUNA. Santos, ano 107, n. 190, 1 out. 2000. 11 cadernos.
BOQUEIRÃO NEWS. Santos, ano 14, n. 291, 9-15 set. 2000. 10p.
JORNAL APASE. São Paulo, ano 11, n. 81, ago. 2000. 3 cadernos.
A bibliografia de um caderno de jornal deve conter os seguintes elementos: título do jornal, local, ano, número e data da publicação, título do caderno, número de páginas do caderno e indicação do tipo da edição. Exemplos:
A TRIBUNA. Santos, ano 107, n. 190. 1 out. 2000. Caderno B – Cidades. 8p.
FOLHA DE S.Paulo, ano 80, n. 26087, 3 set. 2000. Folha Olímpica 2000. 28p.
JORNAL DO BRASIL. Rio de Janeiro, ano 110, n. 176, 1 out. 2000. Vida. 6p.
c) Artigos ou reportagens de jornal: a bibliografia de artigos ou reportagens de jornal deve conter os seguintes elementos: autoria, título do artigo, título do jornal, local da publicação e data. Quando o artigo ou reportagem não for assinado, a primeira palavra é grafada em caixa alta. Caso se acrescente a descrição física, é necessário incluir título do caderno e seção, páginas do artigo referenciado e número de ordem das colunas (abreviada por c.). Exemplos:
DENÚNCIAS de maus-tratos chegam à ONU. Folha de S. Paulo, 18 maio 2000. Folha
Cotidiano, p. 1, c. 6.
FREITAS, José Cleber. A progressão continuada
no sistema estadual de ensino de São
Paulo. Jornal APASE, ago. 2000. Suplemento
Pedagógico, p. 3-4.
OS PEIXES não conhecem fronteiras: Alberto
Amorim acredita que é possível reverter o atual estado de decadência do setor
pesqueiro. A Tribuna, Santos, 10
abr. 2000.
Caderno A, p. 8.
6. Bibliografia legislativa: a bibliografia de leis, decretos, portarias e demais documentos deve conter os seguintes elementos: local de jurisdição (país, estado ou município), título (lei, decreto, portaria e outros), número da legislação, data da promulgação (dia, mês, ano não abreviado) e ementa. Se possível, deve constar, também, nome, local, volume, número da página, data abreviada da publicação do documento, seção e parte do órgão oficial onde foi publicado o documento. Exemplos:
BRASIL. Decreto no 2.207, de 15 de
abril de 1997. Regulamenta, para o Sistema Federal de Ensino, as disposições
contidas nos arts. 19, 20, 45, 46 e parárafo 1o, 52 e parágrafo
único, 54 e 88 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e dá
outras providências.
Diário Oficial
da União. Brasília, n. 72, p.
7534-7536, 16 abr. 1997.
BRASIL. Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais. Diário Oficial da União, Brasília, 20 fev. 1998.
7.
Bibliografia de documentos obtidos na Internet
a) E-textos em geral: a bibliografia de e-textos em geral deve conter os seguintes elementos: autoria, título e subtítulo do documento, data da composição da obra, endereço na Internet e data em que o texto foi obtido. No caso do e-texto não apresentar um autor, recomenda-se que o título não seja escrito com itálico, escrevendo-se a primeira palavra em caixa alta. Exemplos:
CARVALHO, Olavo de. A unidade de sujeito e
objeto: resumo do argumento
fundamental contra o subjetivismo moderno. Jul. 1999. Disponível em
<http://www.olavodecarvalho.org/textos/sujobj.html>.
Acesso em: 20 de set. 1999.
CASTRO HENRIQUES, Mendo. Insight: versão de trabalho para Seminário de
Licenciatura em Filosofia da Consciência na Universidade Católica
Portuguesa.
Disponível em <http://www.terravista.pt/PortoSantos/1139/lonerganpag.htm.>
Acesso
em: 27 out. 1999.
b) E-livros completos: o procedimentos bibliográfico para e-livros completos consultados na Internet deve seguir os mesmos passos da bibliografia de livros: autoria, título, subtítulo, e, ainda, se estiverem disponíveis na Internet, os demais elementos para elaboração da bibliografia (edição, local, editora, número de páginas), data da composição da obra, seguindo-se o endereço na Internet e a data de sua obtenção. Exemplos:
CARVALHO, Olavo de. A nova era e a revolução cultural: Fritjot Capra e Antonio
Gramsci.
1996. Disponível em: <http://www.olavodecarvalho.org/livros/neindex.htm>.
Acesso em: 6 maio 2000.
HOMERO. The odyssey. Disponível em<http://www.classics.mit.edu/Homer/odyssey.html>. Acesso em: 14 out. 2000.
c) Partes de e-livros: para referenciar partes de e-livros, é necessário elencar os seguintes elementos: autoria e título do capítulo, autoria, título e subtítulo do e-livro e, ainda, se estiverem disponíveis na Internet, os demais elementos para elaboração da bibliografia (edição, local, editora, número de páginas), data da composição da obra, seguindo-se o endereço na Internet e a data de sua obtenção. Exemplo:
CARVALHO, Olavo de. O imbecil de pires e o
meu. In: _____. A nova era e a revolução
cultural: Fritjof Capra e Antonio
Gramsci. 1996. Disponível em:
<http:www.olvaodecarvalho.org./livros/neindez.htm>. Acesso em: 6 maio
2000.
d) E-revistas completas: para referenciar e-revistas completas, são necessários os seguintes elementos: título do periódico, título do fascículo, volume, número e data do fascículo, endereço na Internet e data da obtenção do texto. Exemplos:
CAOS: Revista eletrônica de ciências sociais.
n. 1, abr. 2000. Disponível em:
<http://chip.cchia.ufpb.br/-caos/index01.html>. Acesso em: 14 out. 2000.
REVISTA ELETRÔNICA DE HISTÓRIA DO BRASIL. v.
3, jan/jun. 1999. Disponível
em: <http://www.clionet.ufjf.br/rehb/v3n1.htm>. Acesso em: 14 out. 2000.
e) Artigos de e-revistas: para referenciar artigos de e-revistas, são necessários os seguintes elementos: autoria, título do artigo, título do periódico, volume, número e data do fascículo, bem como endereço na Internet e data da obtenção do artigo. Exemplos:
FALZETTA, Ricardo. Navegar é preciso. Nova Escola. n.131, abr. 2000. Disponível em: <http://www.uol.com.br/novaescola/>. Acesso em: 27 maio 2000.
SILVA, Lorena Dantas. Democracia e revolução
em Touraine. Caos, n. 1, abr. 2000.
Disponível em: <http://chip.Cchla.ufpb.br/-caos/01-silva.html.> Acesso em: 14 out.
2000.
f) E-jornais: para referenciar artigos de e-jornais, são necessários os seguintes elementos: autoria, título do artigo, título e data da publicação do jornal, endereço na Internet e data da obtenção do texto. Exemplos:
ZAPAROLLI, Domingos, RIGGI, Horácio. A lenta privatização dos bancos. Gazeta Mercantil, 14 out. 2000.
Disponível em: <http://200246.213.28/gamela.asp?code=1496960&Língua=br>. Acesso em: 14 out.
2000.
VETERANOS da Guerra do Golfo apresentam perda de massa encefálica. Folha on line, 27 maio 2000. Disponível em: <http://wwwUol.com.br/fol/reuters/ultnot/ult27052000094.htm>. Acesso em: 27 maio 2000.
8.
Bibliografia de materiais especiais
· Fita-cassete.
BUARQUE DE HOLANDA, Chico. Construção. São Paulo: Philips, Polygram do Brasil, 863.013-2. [s.d.]. 1 fita cassete.
LENNON, John, McCARTNEY, Paul. (The Beatles). It won’t belong. In: _____. With the Beatles. EMI Records Ltda., 566 – 746436 4 Especial. 1963. Fita cassete.
· Disquete.
ANPED. 18a reunião anual da Anped: GT –
4 Didática. Caxambu, 1995. [s.n., s.d.]. 1
disquete.
AZEVEDO, Israel Belo de. Comunicação. A
influência da televisão sobre o
comportamento violento. In: ____. O prazer da produção científica. Piracicaba:
Unimep, 1997.
Disquete.
AULA 5 –
20/03
1. NORMAS
PARA RETPRODUÇÃO E IMPRESSÃO DO PROJETO DE
PESQUISA
·O
formato do papel deve ser A4 (210mm x 297mm).
·A
margem superior deverá ser de 3.0 cm; a margem esquerda, de 3.0 cm; a margem
inferior, de 2.0 cm; e a margem direito, de 2.0 cm.
·O
espaço entre linhas deve ser de 1.5 cm.
·O
espaço entre parágrafos deve observar 2 espaços de
1.5
·A fonte
é Arial ou Times New Roman, tamanho 12.
·O
parágrafo do texto corresponde a 2.0 cm.
·O
trabalho deve ser impresso com tinta preta. Admite-se impressão colorida somente
para gráficos e fotos.
·O
trabalho deve ser impresso em apenas um lado do
papel.
·
Numeração
de páginas: todas as
folhas do trabalho, a partir da FOLHA DE ROSTO, devem ser contadas
seqüencialmente, mas a numeração começará a ser impressa somente a partir da
primeira folha da parte textual Os números devem ser colocados em evidência
sempre no mesmo local (canto superior direito da folha, a 2 cm da borda
superior, ficando o último algarismo a 2 cm da borda direita da folha) de cada
página do documento.
2.
MODELO
DE CAPA E FOLHA DE ROSTO (vide págs. seguintes)
CAPA
MÁRIO
SILVA
(centralizado, negrito, 14)
½
½
½
½
½
½
½
9.5cm
½
½
½
½
½
½
COMPUTAÇÃO
(centralizado,
negrito, 12)
SANTOS
(centralizado,
negrito, 14)
2004
(centralizado,
negrito, 14)
FOLHA DE
ROSTO
MÁRIO
SILVA
(centralizado, negrito, 14)
½
½
½
½
½
½
½
9.5cm
½
½
½
½
½
½
COMPUTAÇÃO
(centralizado,
negrito, 12)
½
½
½
½
½
½
14.0
cm½
½
½
½
Projeto de Pesquisa apresentado à disciplina
de Metodologia do Trabalho Científico I, para fins de avaliação parcial.
(negrito, recuo esquerdo de 6.5, fonte
11)
½
½
20.0
cm
UNIVERSIDADE
SANTA CECÍLIA (centralizado,
negrito, 14)
FACULDADE DE
CIÊNCIAS E DE TECONOLOGIA (centralizado,
negrito, 11)
CURSO: CIÊNCIA
DA COMPUTAÇÃO (centralizado,
negrito, 11)
SANTOS
(centralizado,
negrito, 14)
2004
(centralizado,
negrito, 14)
AULA 6 –
27/03
CONSIDERAÇÕES SOBRE A NOÇÃO
DE TEXTO
Sem dúvida alguma, a palavra texto é familiar a qualquer pessoa. Ela aparece com alta freqüência no linguajar cotidiano, tanto no interior da escola quanto fora de seus limites. Não são estranhas a ninguém expressões como as que seguem: “redija um texto”, “texto bem elaborado”, “o texto constitucional não está suficientemente claro”, “os atores da peça são bons, mas o texto é ruim”, “o redator produziu um bom texto” etc.
Por causa, exatamente, dessa alta freqüência de uso, todo indivíduo tem certas noções sobre o que significa texto. Dentre essas noções, algumas ganham importância especial para nós, que nos propomos a trabalhar com textos.
Iniciemos, fazendo duas considerações fundamentais sobre a natureza do texto.
PRIMEIRA CONSIDERAÇÃO: o texto não é um aglomerado de frases.
O texto tem coerência. Isso quer dizer que ele não é um amontoado de frases, ou seja, nele, as frases não estão pura e simplesmente dispostas umas após as outras, mas estão relacionadas entre si. É por isso que, nele, o sentido de uma frase depende do sentido das demais com que se relaciona. Se não levarmos em conta as relações de uma frase com as outras que compõem o texto, corremos o risco de atribuir a ela um sentido oposto àquele que ela efetivamente tem.
Uma mesma frase pode ter sentidos distintos, dependendo do contexto dentro do qual está inserido. Precisemos um pouco melhor o conceito de contexto: é a unidade maior em que uma unidade menor está inserida. Assim, a frase (unidade maior) serve de contexto para a palavra, o parágrafo, para a frase etc. A esse tipo de contexto chamamos contexto lingüístico.
Há, ainda, um outro tipo de contexto, chamado contexto situacional (histórico), ou seja, todo texto é produzido dentro de uma determinada situação de comunicação. Por exemplo, quando Lula disse a Collor, no primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais de 1989, “Eu sabia que você era collorido por fora, mas caiado por dentro”, entendemos que essa frase não queria dizer “Você tem cores por fora, mas é revestido de cal por dentro”, mas “Você apresenta um discurso moderno, de centro-esquerda, mas é reacionário.”
Como foi possível entender a frase dessa maneira? Porque ela foi colocada dentro do contexto dos discursos da campanha presidencial. Nele, o adjetivo collorido significava “relativo a Collor”, “adepto de Collor”. Collor apresentava-se como um renovador, como alguém que pretendia modernizar o país, melhorar a distribuição de renda, combater os privilégios dos mais favorecidos. Ronaldo Caiado era o candidato mais à direita, defendia a manutenção do status quo etc.
Um texto é, pois, um todo organizado de sentido. Dizer que ele é um todo organizado de sentido implica afirmar que o texto é um conjunto formado de partes solidárias, ou seja, que o sentido de uma depende das outras. Daí termos:
a. Texto verbal: formado somente por palavras.
b. Texto não-verbal: formado por imagens, gestos etc (menos palavras).
c. Texto sincrético: verbal e não-verbal simultaneamente (palavras + imagens, por exemplo, como nas histórias em quadrinhos). Nesse caso, o sentido global do texto só se faz com o cruzamento dos dois tipos de texto (verbal e não-verbal).
SEGUNDA CONSIDERAÇÃO: todo texto contém um pronunciamento dentro de um debate de escala mais ampla, ou seja, todo texto possui uma intenção.
Nenhum texto é uma peça isolada. De uma forma ou de outra, constrói-se um texto para, através dele, marcar uma posição ou participar de um debate de escala mais ampla, que está sendo travado na sociedade. Até mesmo uma simples notícia jornalística, sob a aparência de neutralidade, tem sempre alguma intenção por trás dela.
Observe-se, a título de exemplo, a passagem que segue, extraída da revista Veja do dia 1o de junho de 1988, página 54.
CRIME
TIRO
CERTEIRO
No começo de 1981, um jovem de 25 anos, chamado John Hinckley Jr., entrou numa loja de armas de Dallas, no Texas, preencheu um formulário do governo com endereço falso e, poucos minutos depois, saiu com um Saturday Night Special ‑ nome criado na década de 60 para chamar um tipo de revólver pequeno, barato e de baixa qualidade. Foi com essa arma que Hinckley, no dia 30 de março daquele ano, acertou uma bala no pulmão do presidente Ronald Reagan e outra na cabeça de seu porta-voz, James Brady. Reagan recuperou-se totalmente, mas Brady desde então está preso a uma cadeira de rodas.
Seguramente, por trás da notícia, existe um pronunciamento contra o risco de se vender arma para qualquer pessoa, indiscriminadamente. Para comprovar essa constatação, basta pensar que os fabricantes de revólveres, se pudessem, não permitiriam a veiculação dessa notícia.
O exemplo escolhido deixa claro que qualquer texto, por mais objetivo e neutro que queira parecer, manifesta sempre um posicionamento frente a uma questão qualquer colocada em debate. Em outras palavras, um texto sempre é escrito com uma determinada intenção.
Ao final das considerações aqui feitas, devem ficar bem claras as
seguintes conclusões:
a) Uma boa leitura nunca pode basear-se em fragmentos isolados do texto, já que o significado das partes sempre é determinado pelo contexto dentro do qual se encaixam.
b) Uma boa leitura nunca pode deixar de apreender o pronunciamento contido por trás do texto, já que sempre se produz um texto para marcar posição frente a uma questão qualquer.
Exercícios:
O texto que segue será usado para responder às questões 1, 2, 3 e 4.
Maguila dá vexame no
“Topa tudo por dinheiro”
O “Topa tudo por dinheiro” do último domingo foi uma sucessão de
gafes. Em primeiro lugar, por que convidaram o boxeador Adilson
Maguila Rodrigues para um quadro em que os convidados tinham de escrever suas
respostas numa lousa, se ele é praticamente
analfabeto?
Se ele não é praticamente analfabeto, fingiu ser. Quando Sílvio Santos
perguntou que flor ele seria, a resposta no quadro foi “ROZA”. Depois disso,
Sílvio perguntou com qual galã ele se achava parecido. Maguila não sabia dizer
nenhum, mas seus amigos da onça Wagner Montes e Sílvio Santos
sugeriram Arnold Schwarzenegger. Quando Maguila foi escrever na lousa, parou no
“ARNO”. (FMC)
Por falar em Wagner Montes, ele disse que, se fosse uma flor, seria uma trepadeira. E trepadeira agora é flor? (Folha de S.Paulo, 31 out. 1999)
1. Classifique o texto em verbal, não-verbal ou sincrético.
2. No texto apresentado, há palavras sublinhadas, cujo significado pode ser desconhecido a você: gafe e amigo da onça. O contexto lingüístico, no entanto, permite entender o que significam. Indique:
a) o sentido dessas palavras; e
b) os elementos do contexto lingüístico que permitiram a você entender tal sentido.
3. Qual o efeito desse texto para a imagem do boxeador Adilson Maguila Rodrigues?
4. Qual poderia ter sido a intenção do jornalista ao redigir esse texto?
5. Leia o edital abaixo:
EDITAL
Faço saber aos povos desta minha vara que no dia 4 do mez, sahirei em
triunpho da correcção, aferindo aos pesos de todos, bom como as varas
respectivas:
1. Ficam prohibidos todos os regos. Aqueles que não mandaram tapar os que
tiver, bem como todos os buracos serão multados em
20$000.
2. Nenhum animal de ordem das cabras poderá roer nas
vizinhanças.
3.Nenhum negociante ou taverneiro, ainda mesmo Coronel da Guarda
Nacional, poderá vender farinha em cuia, que é ladroeira. Multa de
20$000.
4. Homem sem bilhete, tarde da noite, é ladrão. Multa de
20$000.
5. Todo indivíduo de raça canina, sem colleira, bola nelle, nem que seja
daquelles de pello amarellado.
6. É prohibida a venda de leite com água, ou água com leite, porque
prejudica o negócio de minha dona e quebrarei a cuia do
vendilhão.
7. Boi ou vaca deitada na rua de noite, sem lanternas nos chifres, para
que os andantes as vejam de longe, multa de
5$000.
8. Cantadores de modinhas desafinadas a alta hora da noite, na porta das
mulheres, cadeia de manhã, porque não quero destes desaforos no meu
districto.
9. Ninguém pode andar armado com armação alguma nem pedaço de pau na mão,
de noite, que é perigoso. Multa de 5$000.
10. Mulher que anda na rua de noite toda se requebrando leva cabeça
raspada e meia dúzia de bolos, para evitar desaforos de certos maridos que andam
de rixa com as mulheres.
11. Toda omissão omitida nesta postura será resolvida cá de meu
modo.
E para constar, e não dizerem depois que não viram,
publique-se.
Questão: para se
entender o edital acima, é necessário levar em conta que ele foi escrito em
1857, pelo fiscal Alonso Pires Franco, que o mandou afixar na Vila Catimbahu,
Bahia. Trata-se, pois, de se considerar um tipo de contexto. Qual? Por
quê?
6. Leia o texto que
segue:
A professora passou a lição
de casa: fazer uma redação com o tema “Mãe só tem
uma.”
No dia seguinte, cada aluno
leu sua redação. Todas diziam mais ou menos as mesmas coisas: a mãe nos
amamenta, é carinhosa conosco, é a rosa mais linda de nosso jardim etc etc etc.
Portanto, mãe só tem uma.
Aí chegou a vez
de o Juquinha ler sua redação:
- Domingo foi
visita lá em casa. As visitas ficaram na sala. Elas ficaram com sede e minha mãe
pediu para mim ir buscar coca-cola na cozinha. Eu abri a geladeira e só tinha
uma coca-cola. Aí eu gritei para minha mãe: ‘Mãe só tem
uma.’
Desconsiderando os problemas
relativos à norma culta do idioma, qual a falha da professora que tornou
possível o texto produzido por Juquinha?
7. Qual a intenção
subjacente a cada um dos textos que segue? Para responder a essa questão, leve
em conta o contexto em que eles foram veiculados.
a. Dizem que o Lula viaja
tanto que a dona Marisa pediu: “Benhê, vamos passar o reveillon num lugar
exótico, distante e divertido.” E o Lula: “Já sei, no Brasil.” (José Simão,
humorista da Folha de S.Paulo).
b. Cartório virtual – Um
novo serviço eletrônico ajuda os internaturas a resolver o problema de provar a
autenticidade de uma mensagem. O Comprova, inspirado em um sistema dos correios
americanos, guarda uma cópia da mensagem com um selo do Observatório Nacional
que atesta a hora de envio. Para obter o selo, acrescenta-se o sufixo
comprova.com ao final do endereço de e-mail do destinatário (exemplo: guiaveja @
abril.com.br.comprova.com). O remetente recebe um número de comprovante, que
pode ser consultado por três anos e ajudar em questões judiciais. O serviço
básico custa 3,90 reais por mensagem. Também é possível, pagando um pouco mais,
registrar o e-mail em cartórios associados – por enquanto, apenas em São Paulo.
Isso permite dar fé pública a contratos eletrônicos. Para se registrar, o
usuário deve acessar o site www.comprova.com. Outro serviço na internet
é o cartório on-line (www.cartorio24horas.com.br), que permite solicitar
certidões em certos cartórios (por ora, também só em São Paulo). Paga-se por
meio de boleto bancário. (Revista Veja – 7
jan. 2004)
c.
Poesia
Das alianças
desiguais
Gato do Mato e Leão, conforme o
combinado,
Juntos caçavam corças pelo
mato.
As corças escaparam ...
Resultado:
Não escapou o Gato. (Mário
Quintana)
AULA 7 –
03/04
PRODUÇÃO TEXTUAL: RESUMO E RESENHA
RESUMO
Resumo consiste na condensação fiel das idéias ou dos fatos contidos no texto. Resumir um texto significa reduzi-lo ao seu esqueleto essencial, sem perder de vista três elementos:
a) cada uma das partes essenciais do texto;
b) a progressão em que elas se sucedem;
c) a correlação que o texto estabelece entre cada uma dessas partes.
O resumo traduz-se, pois, numa redução do texto original, procurando captar suas idéias essenciais, na progressão e no encadeamento em que aparecem no texto.
Quem resume deve exprimir, em estilo objetivo, os elementos essenciais do texto. Por isso não cabem, num resumo, comentários ou julgamentos ao que está sendo condensado.
Muitas pessoas julgam que, para resumir, basta reproduzir frases ou partes de frases do texto original, construindo uma espécie de “colagem”. Essa “colagem” de fragmentos do texto original não é um resumo. Resumir, conforme dissemos, é apresentar, com as próprias palavras, os pontos relevante de um texto.
Para elaborar um bom resumo, há necessidade de se compreender, antes, o conteúdo global do texto. Não é possível ir resumindo à medida que se vai fazendo a primeira leitura.
É evidente que o grau de dificuldade para resumir um texto depende basicamente de dois fatores:
a) da complexidade do próprio texto (seu vocabulário, sua estruturação sintático-semântica, suas relações lógicas, o tipo de assunto tratado etc);
b) da competência do leitor (seu grau de amadurecimento intelectual, o repertório de informações que possui, a familiaridade com os temas explorados).
Seguem os procedimentos básicos para a elaboração de um resumo:
1. Ler o texto sem interrupções para ter uma noção geral do que o autor pretende expressar.
2. Reler, com bastante atenção, parágrafo por parágrafo, procurando a idéia básica de cada um. Escrever com as próprias palavras o que se considera fundamental, tentando eliminar os adjetivos e outras expressões que se julguem desnecessárias para a compreensão global do texto.
3. Redigir o resumo a partir das frases que se escreveu sobre cada parágrafo. Deve-se procurar relacionar as idéias, não fazendo uma simples enumeração. Vejamos, na página seguinte, palavras e expressões (conectivos) que ajudam a estabelecer ligação entre orações e parágrafos.
Uma das características básicas dos resumos é que são objetivos e não têm caráter opinativo. Nos jornais e revistas é freqüente encontrarmos resumos de filmes, de capítulos de novelas, de livros. Esses resumos limitam-se, efetivamente, às informações absolutamente essenciais sobre o enredo ou temática das obras em questão. Exemplo:
Um sonho de
liberdade. Globo, 22h40 (Shawnsahank redemption).
EUA, 1994, 142 min, direção: Frank Darabont. Com Tim Robbins, Morgan Freeman.
Condenado à prisão perpétua pelo assassinato de
sua mulher, executivo de banco (Robbins) envolve-se nos negócios de presidiários
e de diretores do presídio. Mas, como passa a conhecer alguns segredos do local,
a direção trata de impedir sua libertação, embora os advogados consigam provar
que era inocente.
QUADRO DE PALAVRAS E EXPRESSÕES (CONECTIVOS) QUE
ESTABELECEM LIGAÇÃO ENTRE ORAÇÕES E PARÁGRAFOS
|
RELAÇÃO
SEMÂNTICA |
CONECTIVO |
|
1.
Adição, continuação |
Além
disso, (a)demais, outrossim, ainda mais, ainda por cima, também, e, nem,
não só...mas também etc. |
|
2.
Alternativa |
Ou, ou
então, quer ... quer, seja ... seja, ora...
ora |
|
3.
Causa |
Já que,
visto que, uma vez que, como, desde que, por causa de, em virtude de
etc. |
|
4.
Certeza, ênfase |
De
certo, por certo, certamente, indubitavelmente, inquestionavelmente, sem
dúvida, inegavelmente, com toda a certeza, de fato, realmente
etc. |
|
5.
Concomitância, simultaneidade |
À
proporção que, à medida que, ao passo que, quanto (tanto) mais, quanto
(tanto) menos, quanto (tanto) maior, quanto (tanto) menor
etc. |
|
6.
Condição |
Se,
caso, contanto que, salvo se, a menos que, desde que, a não ser que
etc. |
|
7.
Conseqüência |
Daí, por
conseqüência, que (precedido de tal, tão, tamanho, tanto), de maneira que,
de forma que etc. |
|
8.
Contraste, oposição, restrição,
ressalva |
Pelo
contrário, em contraste com, salvo, exceto, mas, porém, contudo, todavia, no
entanto, entretanto, embora, mesmo que, apesar de que
etc. |
|
9.
Dúvida |
Talvez,
provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é provável, não é certo,
se é que etc. |
|
10.
Exclusão |
Apenas,
exceto, salvo, senão, só , somente
etc. |
|
11.
Ilustração, esclarecimento |
Por
exemplo, isto é, quer dizer, em outras palavras, a saber, como
etc. |
|
12.
Inclusão |
Até,
inclusive, mesmo, também etc. |
|
13.
Justificativa, explicação,
justificativa |
Porque,
já que, que, pois, porquanto etc. |
|
14.
Lugar, proximidade, distância |
Perto
de, próximo a ou de, junto a ou de, dentro, fora, mais adiante, além,
acolá etc. |
|
15.
Prioridade, relevância |
Em
primeiro lugar, antes de mais nada, primeiramente, acima de tudo,
precipuamente, mormente, principalmente, primordialmente, sobretudo
etc. |
|
16.
Propósito, intenção, finalidade |
Com o
fim de, a fim de, com o propósito de, para que, para
etc. |
|
17.
Resumo, recapitulação, conclusão |
Em suma,
em síntese, em conclusão, enfim, em resumo, portanto, logo, por
conseguinte, por isso etc. |
|
18.
Retificação |
Aliás,
ou antes, isto é, ou melhor etc. |
|
19.
Semelhança, comparação, conformidade |
Igualmente,
da mesma forma, assim também, do mesmo modo, similarmente,
semelhantemente, analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de
conformidade com, de acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de
vis etc.ta |
|
20.
Surpresa, imprevisto |
Inesperadamente,
inopinadamente, de súbito, imprevistamente, surpreendentemente
etc. |
O tamanho do resumo varia de acordo com os
objetivos do texto resumido. O resumo apresentado é bastante sucinto, pois seu
objetivo é apenas o de informar, em linhas gerais, sobre o conteúdo do
filme.
Existem circunstâncias, no entanto, em que podem ser exigidos resumos
mais extensos. Assim, se formos solicitados a resumir determinado livro,
deveremos saber com antecedência que expectativas se tem com relação à qualidade
e quantidade de informações sobre o livro que deveremos incluir em nosso
resumo.
Exercício: Resuma o texto que segue.
Cachorro também é caso de
polícia
Ao montar a estratégia de combate contra a violência, Nova York
intensificou a perseguição contra um pacifico e aparentemente inofensivo
personagem da cidade – o dono de cães.
Policiais receberam ordens para multar quem não cuida da sujeira de seus
animais. São auxiliados por duzentos ficais que perambulam pelas ruas e parques.
A multa cresce à medida que a delinqüência se repete. O esforço vale a pena.
Nunca as ruas estiveram tão limpas – e em 30 anos nunca estiveram tão
pacíficas.
Haveria alguma relação entre ruas mais limpas e menos
violência?
Montados na autoridade de quem reduziu a níveis jamais imaginados a
criminalidade, os responsáveis pela segurança de Nova York estão convencidos de
que existe uma relação entre criminalidade e limpeza. Uma aposta, inicialmente
ridicularizada, guiou a policia: a melhoria da qualidade de vida, com a punição
aos pequenos delitos, teria efeito psicológico. Os marginais perceberiam a ordem
e pensariam duas vezes antes de cometer um crime.
Ordem significava ir aos mínimos detalhes.Significava também ver punidos
não só quem urina publicamente como também grafiteiros, motoqueiros sem
capacete, mendigos agressivos, até donos de cachorro. Traduzindo: a sensação de
impunidade estimula a delinqüência.
Os brasileiros estão apavorados com o aumento da delinqüência que
transformou os caixas de bancos 24 horas em arapucas – e com razão. Cobram da
polícia o fim da impunidade – e, mais uma vez, com razão. Magistral exemplo: a
estatística mostra que só 2,5% dos crimes cometidos na cidade de São Paulo são
resolvidos. Com 2,5% de casos resolvidos, o crime, na verdade,
compensa.
Quem analisar o sucesso de cidades americanas contra o crime vai
constatar que, junto com os projetos sociais de educação e emprego, aumentou, e
muito, o número de prisões e detenções. Os policiais de Nova York dizem que, em
essência, não fazem nada de novo. Descobrem onde estão os delinqüentes e os
tiram de circulação. O delegado que não obedece a essa regra básica perde o
emprego. Combater os pequenos delitos apenas acelera a percepção de que a
punição é real. Tem lógica.
Nas cidades brasileiras, vivemos, em regra, o contrário: a percepção de
impunidade, com carros subindo na calçada ou fazendo filas duplas, gente jogando
papel nas ruas, pessoas que fazem dos muros banheiros públicos. Os cachorros são
um ótimo exemplo da impunidade. Segundo dados oficiais, a Prefeitura de São
Paulo tem de enfrentar 12 toneladas diárias de rastros caninos. O campeão é o
bairro de classe média onde mora o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Diante desse fato, virou até ironia o nome do bairro:
Higienópolis.
Ou seja, a elite que reclama da impunidade de quem ataca nos caixas
eletrônicos e incomoda-se com a sujeira dos mendigos e meninos de rua é
exatamente aquela que emporcalha as ruas.
Essa elite chega a Nova York e sente o maior prazer em andar nas ruas,
dizendo como o Brasil é subdesenvolvido. Que experimente, porém deixar seu
cachorrinho fazer aí o que bem entenda e, depois, tente ver se o guarda conhece
o significado da palavra “jeitinho”.
Em Nova York, o crime caiu porque, em essência, aumentou a taxa de cidadania, que vai desde um maior envolvimento da comunidade em projetos de educação e saúde, passando pela geração de empregos, até o direito de andar em ruas com menos fezes e mais policiais. (Gilberto Dimenstein – Folha de S.Paulo)
RESENHA
Resenhar significa fazer uma relação das propriedades de um objeto, enumerar cuidadosamente seus aspectos relevantes, descrever as circunstâncias que o envolvem.
A resenha pode ser:
1. Puramente descritiva, isto é, sem nenhum julgamento ou apreciação do resenhador.
2. Crítica, pontuada de apreciações, notas e correlações estabelecidas pelo juízo crítico de quem a elaborou.
A resenha descritiva consta de:
a) Uma parte descritiva, em que se dão informações sobre o texto:
- nome do(s) autor(es);
- título completo e exato da obra (ou do artigo);
- nome da editora e, se for o caso, da coleção de que faz parte a obra;
- lugar e data da publicação;
- número de volumes e páginas.
Pode-se fazer, nessa parte, uma descrição sumária da estrutura da obra (divisão em capítulos, assunto dos capítulos etc). No caso de uma obra estrangeira, é útil informar também a língua da versão original e o nome do tradutor (se se tratar de tradução). Pode-se, também, dar uma breve notícia sobre o(s) autor(es) da obra resenhada.
b) Uma parte com o resumo do conteúdo da obra:
- indicação sucinta do assunto global da obra (assunto tratado) e do ponto de vista adotado pelo autor (perspectiva teórica, gênero, método, tom etc);
- resumo que apresenta os pontos essências do texto e seu plano geral.
Na resenha crítica, além dos elementos já mencionados, entram também comentários e julgamentos do resenhador sobre as idéias do autor, o valor da obra etc. Esses comentários podem ser colocados ao longo da resenha ou no final desta.
Por vezes, as informações que se encontram nas contracapas dos livros têm um tom de resenha. É o que acontece, por exemplo, no texto que está na contracapa do livro A minoria próspera e a multidão inquieta (Editora UNB), que consiste na compilação de três entrevistas dadas por Noam Chomsky a David Barsamanian. Veja:
Esta é uma daquelas obras que se lê da primeira à última linha de um
fôlego só. Nela, o mais citado, cultuado e criticado intelectual e analista
político de hoje comenta a economia global, a situação da Somália, a guerra na
Bósnia, o racismo e a nova ordem mundial. Nestas entrevistas ao interlocutor
David Barsamian, Chomsky comenta fatos, personalidades e acontecimentos
mundiais, de Ghandi a Yitzhak Rabin. Sem papas na língua, revela o que está por
trás de instituições como o Nafta e o Gatt, indo direto ao assunto, e sempre
atingindo o cerne da questão. O leitor vai encontrar opiniões duras, abordagens
novas e ainda conhecerá fatos e aspectos desses temas até então pouco conhecidos
ou nada divulgados. Sem meias palavras, Chomsky expõe o lado escuro do poder.
Vejamos outro exemplo de resenha, agora de um romance, Cândido, escrito por Voltaire.
Voltaire nasceu em Paris a 21 de novembro de 1694 e morreu em 30 de
maio de 1778, na mesma cidade. Anticlerical até o fim de sua vida, Voltaire
sempre renegou qualquer tipo de fanatismo religioso. Dentre suas obras,
destacam-se diversos verbetes para enciclopédias, o “Dicionário filosófico”, o
“Tratado sobre a tolerância” e “Cândido”, objeto desta resenha, publicado no
Brasil pela editora Martin Claret, São Paulo, em 2001, com 128
páginas.
Jovem puro de espírito, Cândido acreditava que não havia maldade no
homem. Todas as fraquezas do ser humano eram contingências diversas, causadas
por algo já determinado, segundo aprendera.
A partir do momento em que
se apaixona e é correspondido, sua trajetória de vida marca-se por incríveis
aventuras. Passa pelos piores horrores e vale-se de uma teimosia que transcende
qualquer limite e imaginação para reencontrar sua amada, que lhe fora tirada
quando expulso do Castelo onde vivia.
Essas aventuras, narradas com refinado toque de humor, atiçam a
curiosidade do leitor. Cândido, na sua ingenuidade, é
tocante.
Quando, finalmente, consegue seu objetivo maior, o de reencontrar sua
amada, a decepção que se vê é patética, pois ela havia se tornado horrível,
rabugenta e mal-humorada. Daí o personagem pergunta a si mesmo: valeu a pena
todo o sacrifício?
Começa, então, uma luta pessoal para entender o ser humano. Cansado de
buscar respostas, Cândido conclui que é melhor cuidar do jardim, numa prova da
genialidade e do cinismo de Voltaire, que encantaram as cortes européias e
provocam admiração até hoje.
Exercício: Faça a resenha do texto abaixo.
Ninguém mais duvida de que, sem computador e um mínimo de domínio sobre
ele, um profissional é, hoje, um analfabeto funcional. Documento obtido com
exclusividade mostra o exato significado da expressão “exclusão digital”, uma
das categorias da exclusão social.
O último censo escolar, realizado pelo Ministério da Educação, informa
que há no Brasil 18.603 escolas de ensino médio. Apenas 9.360 delas têm
laboratório de informática e, pior, só 4.033 dão acesso à Internet. Das que têm
acesso, 2.954 (ou seja, 73%) são escolas particulares, onde estudam os mais
ricos. Nem mesmo a situação das escolas particulares é motivo de orgulho, já que
menos da metade está ligada à Internet, instrumento obrigatório de
pesquisa.
O quadro é ainda mais grave no ensino fundamental. No citado censo, foram
computadas 183 mil escolas, das quais, 14 mil, cerca de 8%, têm laboratório de
informática. Desse total, 8.185 são particulares. Ou seja, de cada cem alunos do
ensino fundamental apenas oito manipulam computadores, dos quais cinco são
alunos de escolas privadas. Se falta laboratório de informática, imagine, então,
acesso à Internet. Apenas 6.030 escolas oferecem acesso à rede, sendo que 4.041
são instituições privadas. Traduzindo: apenas 3% dos estudantes de ensino
fundamental têm a oportunidade de acessar a rede em sua
escola.
Uma análise do censo mostra que o acesso à Internet é, no mínimo,
coerente. Até porque conquistas bem mais antigas ainda não chegaram à totalidade
das escolas. Por exemplo: cerca de 60 mil escolas, a maioria em áreas rurais,
não têm energia elétrica. E 13 mil não dispõem de abastecimento de água. No
ensino fundamental público, conforme indica o censo, ainda é um luxo dispor de
bibliotecas e laboratório de ciências.
Por esses números, percebe-se que são remotas as chances de a educação pública – e mesmo de amplas parcelas da educação privada – produzir trabalhadores aptos a lidar com os desafios da era da informação. (Gilberto Dimenstein – Folha de S.Paulo).
[1] Disponível em http://www.uf.org.br. Acesso em: 15 set. 2003.
[2] Lar das Moças Cegas de Santos: instituição mantida pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), com o objetivo de ajudar deficientes visuais (crianças e adultos), iniciando com a alfabetização até a profissionalização.
[3] Disponível em http://www.uf.org.br. Acesso em: 15 set. 2003.
[4] Lar das Moças Cegas de Santos: instituição mantida pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), com o objetivo de ajudar deficientes visuais (crianças e adultos), iniciando com a alfabetização até a profissionalização.